domingo, 31 de maio de 2009

Mulheres no mundo dos homens

Texto
HELENA OLIVEIRA


Se o leitor é do sexo masculino, não utilize já o pensamento analítico e racional para não ler o que se segue. Se é do sexo feminino, utilize a intuição e análise qualitativa para se rever e avaliar as situações abaixo descritas. Aliás, para bem da sociedade em geral e das empresas em particular, convidam-se homens e mulheres a ler e a discutir a temática em causa… Em conjunto.
O tema já foi exaustivamente discutido em inúmeras teorias da gestão e a verdade é que homens e mulheres, como seres geneticamente diferentes, possuem estilos de liderança distintos. E as mulheres de hoje sabem que têm de partilhar o espaço empresarial com os seus pares masculinos e, como afirma o psicólogo Timothy Leary, “as mulheres que procuram ser iguais aos homens têm falta de ambição”.
No dia-a-dia, a verdade é que existem ainda alguns preconceitos e obstáculos que podem funcionar como agentes impeditivos para que as mulheres atinjam lugares cimeiros na escada empresarial. E se há já muitas que o conseguem, apesar de sacrifícios muitas vezes não confessados, o sistema ainda masculinizado da gestão permanece castrador e impede, em muitos casos, a tão almejada igualdade de oportunidades para se atingir o topo.
A investigadora espanhola Nuria Chinchilla, autora de “A ambição feminina” e, mais recentemente, de “Donos do nosso destino”, é especialista na triangulação família, empresa e esfera social, afirmando que só através da conciliação destes três vértices será possível existir uma sustentabilidade da nossa sociedade.
Para a investigadora do IESE, um dos principais problemas que se colocam em particular às mulheres, é o facto de “não termos tempo nem energia para construir famílias”. Nuria Chinchilla é peremptória na resposta que dá quando lhe perguntam “qual o melhor momento para se ter filhos”: “já!”, responde sem hesitar. Mas não se esquece de enumerar os principais obstáculos que impedem, muitas vezes, as mulheres de tomarem essa decisão que, amiúde, são os mesmos que obstam ao desenvolvimento profissional feminino.

TECTOS VÁRIOS E O “HORÁRIO RELIGIOSO”
Para Nuria Chinchilla, não há um, mas dois tectos que impedem as mulheres de alcançarem a “penthouse” profissional. O de cristal, que encerra em si o escasso apoio existente, tanto em casa como no trabalho, e o difícil acesso à informação e à rede de contactos masculina. Acresce ainda o denominado “tecto de cimento”: de acordo com estatísticas apresentadas, 33 por cento das mulheres recusam promoções devido à dificuldade de conciliar trabalho e família.
A cultura de longas jornadas laborais, duplas e triplas (a saber, trabalho, filhos e, muitas vezes, pais inclusive) aliada à ausência da flexibilidade laboral que ainda existe na maioria das empresas, gera stress e consequentes doenças associadas. Salienta-se ainda a verdade nua e crua das diferenças na remuneração entre homens e mulheres (ver caixa).
Para Nuria Chinchilla, as mulheres obedecem a um chamado “horário religioso”: “entramos quando Deus manda e saímos quando Deus quer”. E a verdade é que a troca de menos dinheiro por uma maior flexibilidade começa a ser um dos grandes desejos expressos por muitas mulheres (e até por homens).

Caracolinhos

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Florbela Espanca




FLOR BELA, RAÍZES


Vila Viçosa, final do ano de 1894, noite de sete para oito de Dezembro.

Antónia da Conceição Lobo sente as dores do parto. Nasce uma menina. Não vem ao encontro das alegrias da família. Não há assim lugar ao habitual regozijo de tais momentos. Não parece ter sido desejada por qualquer das partes. É baptizada como filha de pai incógnito. Avôs e avós também incógnitos. É-lhe posto o nome de Flor Bela de Alma da Conceição. Na literatura portuguesa será chamada Florbela Espanca. Apelido que receberá do pai, João Maria Espanca, já então levantado o véu encobridor. Curiosamente, o padre que a baptiza e a madrinha usam o mesmo apelido.

A mãe morre algum tempo depois.

Tem infância sem falta de carinhos e a sua subsistência não será ensombrada por insuficiências que atingem muitas das crianças que nascem em circunstâncias semelhantes.

O pai não a deixará desprovida de amparo. Ela própria assim o diz quando aos dez anos, em poema de parabéns de aniversário ao "querido papá da sua alma" escreve que a "mamã" cuida dela e do mano "mas se tu morreres/ somos três desgraçados" .

Será acarinhada pelas duas madrastas, como revelará na sua própria correspondência.

Ingressa no liceu de Évora. Num tempo em que poucas raparigas frequentam estudos, e bonita como é, apesar de umas tantas vezes afirmar o contrário, põe à roda a cabeça dos colegas.

Não são aqueles os primeiros versos. Antes já os escrevera com erros de ortografia. Naturalmente infantis, mas avançados em relação à idade. De algum modo, prenunciam o que virá depois.

Esta precocidade contrasta com um quê de desajustamento futuro, quando a sua escrita divergirá dos conceitos de poesia dos grupos do Orfeu, Presença e outras tendências do designado "Modernismo", e que emergem como as grandes referências literárias da época. Das quais Florbela parecerá arredada.

Inicialmente sem dificuldades económicas, como deixa perceber. Explicadora, trabalhará ensinando francês, inglês e outras matérias. Mais tarde, com vinte dois anos, irá cursar Direito na Universidade de Lisboa.

Publica vários poemas em jornais e revistas não propriamente dedicados à poesia, como seja Noticias de Évora e O Século ou de circulação local.

Edita os seus primeiros livros, Livro de mágoas em 1919, e em 1923 Livro de Soror Saudade, onde incluirá grande parte da produção anterior.

Refere o seu Alentejo e os locais ligados às suas origens, e exalta a Pátria em alguns poemas. Mas a sua escrita situar-se-á sobretudo no campo da paixão humana.

Contrai matrimónio por três vezes. Do primeiro marido, Alberto Moutinho, usa o apelido em alguns escritos, nomeadamente correspondência. Do terceiro marido, Mário Lage, juntará o apelido à assinatura usual, nas traduções que efectuará. Do segundo, António Guimarães, não parece haver reminiscências explicitas nos escritos de Florbela, que lhe terá dedicado obra que publica como Livro de Soror Saudade, titulo diferente do projectado e esquecendo a dedicatória.




AS FACES DUMA PERSONALIDADE

Florbela, retrato e autógrafo



Como dizem vários estudiosos da sua pessoa e obra, Florbela surge desligada de preocupações de conteúdo humanista ou social. Inserida no seu mundo pequeno burguês, como evidencia nos vários retratos que de si faz ao longo dos seus escritos.

Não manifesta interesse pela política ou pelos problemas sociais. Diz-se conservadora.

Uma quase inventariação das suas diferentes personalidades desenha-se nas palavras de um dos seus contos, a que deu o titulo À margem de um soneto que integra o volume intitulado O Dominó Preto.

Inicia-o falando duma poetisa, a dizer que "vestida de veludo branco e negro, estendeu a mão delgada, onde as unhas punham um reflexo de jóias....", informando um visitante de que tinha fechado o seu "livro de versos... com um belo soneto!"

Segue, "num olhar... afogado em sonho" e "numa voz macia e triste" a leitura do soneto e termina com "o mal de ser sozinha"...suportando "o pavoroso e atroz mal de trazer/ tantas almas a rir dentro da minha!...."

O conto continua em tons e quadros que Florbela frequentemente considera como de si própria e aqui atribui a suposta romancista brasileira: "feia, nada elegante, inteligente, mas com o talento, o espírito e a graça, e sobretudo o encanto, duma imaginação extraordinária, palpitante de vida, apaixonada e colorida, sempre variada, duma pujança assombrosa."

Pondo na mente do marido da personagem, o seu próprio discurso, vai enunciando as "almas diversas que eram dela" e que "ocultava dentro de si".

Entrevê a personagem "imaculada, ingénua, fria, longínqua"; "inacessível e sagrada" de "imaterial beleza" e "a morrer virginal e sorridente".

Referindo um outro imaginário romance apresenta-se "ardente e sensual, rubra de paixão, endoidecendo homens, perdendo honras..."

Com alusão a terceiro presumível livro, qualifica-se "céptica e desiludida, irónica, desprezando tudo, desdenhando tudo, passando indiferente em todos os caminhos, fazendo murchar todas as coisas belas". Mente "dia e noite só pelo prazer de mentir" e "beija doidamente um amante doido."

Quem, ao ler a sua obra poética, a sua prosa, as suas cartas, os seus outros escritos, não a vê usar um milhar de vezes para si própria, termos semelhantes, ultrapassando até tais qualificativos e exageros?

Antes do final ainda a exaltação do ser poeta, que se pode considerar uma das suas constantes:

"- As almas das poetisas são todas feitas de luz, como as dos astros: não ofuscam, iluminam...."

Quem é realmente Florbela?

Ninguém é definível numa só dimensão, num só conjunto de qualidades. Todo o ser é uma intersecção de adjectivações diferentes e até opostas, ensina-me, desde a juventude, o meu amigo Diogo de Sousa, que cursava Filosofia.

No caso da poetisa tem a particularidade de ser ela própria a evidenciá-lo, permanentemente e sem constrangimentos. Parafraseando António José Saraiva e Oscar Lopes na História da Literatura Portuguesa: estimula e antecede o "movimento de emancipação literária da mulher" que romperá "a frustração não só feminina como masculina, das nossas opressivas tradições patriarcais...."

Na sua escrita é notável, como dizem os mesmos mestres, "a intensidade de um transcendido erotismo feminino". Tabu até então, e ainda para além do seu tempo, em dizeres e escreveres femininos.

Os referidos autores, em capitulo sob o titulo Do simbolismo ao modernismo, enumerando várias tendências como "método de exposição ... pedagógica" incluem Florbela num grupo que designam como "Outros poetas". Qualificam-na como "sonetista com laivos parnasianos esteticistas" e "uma das mais notáveis personalidades líricas".

O seu egocentrismo, que não retira beleza à sua poesia, é por demais evidente para não ser referenciado praticamente por todos.

Sedenta de glória, diz Henrique Lopes de Mendonça, transcrito por Carlos Sombrio.

Na sua escrita há um certo numero de palavras em que insiste incessantemente. Antes de mais, o EU, presente, dir-se-á, em quase todas as peças poéticas. Largamente repetidos vocábulos reflexos da paixão: alma, amor, saudade, beijos, versos, poeta, e vários outros, e os que deles derivam.

Escritos de âmbito para além dos que caracterizam essa paixão não são abundantes, particularmente na obra poética. Salvo no que se refere ao seu Alentejo.

Não se coloca como observadora distante, mesmo quando tal parece, exterior a factos, ideias, acontecimentos.

Curiosa é a posição da poetisa quanto ao casamento. Mau grado dizer que a única desculpa que se atribui é ter casado por amor (!!!), várias vezes se afirma inteiramente contra, apesar de ter contraído matrimónio por três vezes...

Entre os poetas seus preferidos destacam-se António Nobre, Augusto Gil, Guerra Junqueiro, José Duro e outros de correntes próximas. Interessa-se também por Antero.

Pela não publicação das suas obras, ora se mostra descontente por não encontrar editor para os livros que, após os dois primeiros, deseja dar a público, ora pretende mostrar-se desinteressada, mesmo desdenhosa pelo facto. Embora o desgosto seja saliente.

Passados perto de setenta anos sobre a sua morte são falados comportamentos menos ortodoxos em relação à moral sexual do seu tempo. Algumas expressões de emocionalidade um tanto excessiva para a época, embora não exclusivas da escritora, ajudam a suspeita.

Lembramos a sua correspondência e as referências ao irmão, Apeles. Os seus excessos verbais parece não passarem disso mesmo - imoderação para exprimir uma paixão. Aqui, exaltação fora do comum de um amor fraternal mas que não destoa do falar dos seus sentimentos.

Semelhante escrever na correspondência com uma amiga. Afinal nunca esteve junto dessa mesma amiga e apenas a viu em retrato.

Esses limites alargados na expressão do amor, da amizade e das afeições, são uma constante.

Fernanda de Castro, em escrito retido por Carlos Sombrio, explica as suas contradições, ao dizer" não soube viver sem quebrar preconceitos, algemas, correntes - e não teve coragem de os quebrar todos".

Florbela, poetisa, não pode ser separada da sua condição de mulher, das suas paixões, da sua maneira de ser, da sua vida, das suas contradições, humildade e orgulho, preconceitos, sua presença e ausência, seus amores e desamores, explica-me a minha jovem amiga Clara Santos, florbelista militante.

A sua única preocupação é ela própria, o amor, a paixão... o querer e o não querer. A par duma vida pouco comum para os cânones vigentes - dois divórcios e três casamentos em cerca de quinze anos - essa relação mulher-paixão e a exaltação ao exprimir-se sobre si própria, podem ter contribuído para os conceitos aludidos.

Repare-se neste começo de um dos seus mais conhecidos sonetos:

Eu quero amar, amar perdidamente !
Amar só por amar: Aqui ... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente ...
Amar ! Amar! E não amar ninguém !

e no final da quadra seguinte

Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Na época, conservadora como diz ser, leva a crer muito provavelmente, num viver que nos factos se coadunará e não se distanciará dos conceitos morais e sociais vigentes.



FLORBELA, A ESCRITORA E O CULTO

Florbela, adolescente


Pergunto-me o porquê da visibilidade de Florbela e da sua aceitação por um público muito mais vasto que o de muitos outros escritores seus contemporâneos, anteriores e posteriores, de qualidade se não superior, pelo menos semelhante, e de interesse e caracter mais universalista, com preocupações capazes de fazerem apelo a um mais vasto e amplo leque de sensibilidades.

Se a sua obra apresenta inegável interesse e beleza, não deixa de constituir surpresa para alguns críticos, o impacto junto do público leitor, comparado com o de outros autores de igual valia e que fora dos meios ditos intelectuais pouco ou nada são conhecidos.

Abrimos a referida História da Literatura Portuguesa, contamos os vários nomes de escritores aí citados na mesma época, atentamos na análise deles feita pelos insuspeitos autores e constatemos o numero dos que praticamente continuam envoltos numa bruma. Mesmo para leitores de mais largos voos muitos não passam de meros desconhecidos.

Após vasta inventariação de publicações, José Augusto França, na sua obra Os anos vinte em Portugal, indicando umas dezenas de escritores, a Florbela se refere dizendo-a "escondida de todos", acrescentando todavia que "foi ela o caso de mais profunda criação entre as mulheres que publicaram nos anos 20 portugueses".

Para outros não é um astro da grandeza de vários dos seus contemporâneos. Estará um tanto em atraso, quer quanto à forma, quer quanto às suas preocupações. Como explicar então que seja qualificada por muitos como um dos vultos do século - e o seja, pela projecção que acaba por atingir?

Hernâni Cidade referirá "a violenta contradição entre o conceito de poesia de duas épocas distantes ou próximas".

Alguns críticos entrelinham a análise do seu comportamento e da sua obra com dizeres onde se pressente um esforço para evitarem uma sentença relativamente dura.

Natália Correia, em longo prefácio a uma edição de Diário do último ano fala do "coquetismo patético" e refere a sua "poesia maquilhada com langores de estrela de cinema mudo, carregada de pó de arroz". E continua, exagerando um tanto, dizendo que a escritora "estende-se na chaise-longue dos seus quebrantos de diva de versos. Muito a preceito da corte dos literatos menores. Uma cadelinha de luxo acarinhada no chá-das-cinco das senhoras do Modas e Bordados e do Portugal Feminino para explicar que isso nasce da sua insensibilidade "a rupturas engendradas pelas crises do discurso lógico masculino".

Porquê então tal expansão?

O seu culto começa nela própria.

Leia-se o poema, cantado por conhecido grupo musical e um dos mais belos:

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e Alem Dor!
.............................
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
.............................
É ter fome, é ter sede de Infinito!
............................
É condensar o mundo num só grito!
............................

E quantas e quantas vezes Florbela nos recorda que é poeta! E com que euforia:

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Poucos poetas o farão tão repetidamente...

De modo algum pomos de lado a beleza do que escreve, da maneira como se exprime, e do que ocupa a sua escrita.

Sem excluir a qualidade literária, não serão porém inteiramente estranhos ao multiplicar da sua leitura, aspectos que de certo modo lhe serão alheios. Entre outros, o auto retrato da sua vida que desenha um tanto distante do ordenamento e preconceitos sociais da sua época, as variadas contradições, ou aparência de contradições (como admite José Régio) a tragédia da sua morte, o seu empenhamento na publicação, esforçado e continuado, os locais onde vive, propensos à glorificação dos naturais ou próximos, o seu proto-feminismo diferenciado do que se lhe seguirá uns anos mais tarde, mas capaz de chamar a atenção.

Um nome, Guido Batelli, italiano, professor da Universidade de Coimbra, não poderá ser esquecido. Ao traduzir para a sua língua vários dos poemas de Florbela, cria um facto que não se pode dizer muito comum .

E admirando-a sinceramente, contribuirá para a edição (póstuma) de Charneca em Flor, Reliquiae e Juvenilia. É provavelmente com a sua intervenção que se fazem as primeiras reedições do Livro de Mágoas e do Livro de Soror Saudade.

Régio, sobre o silêncio da Presença, de que diz ter vergonha, explica que só mais tarde a conhece. Chama-lhe "poesia viva" que "nasce, vive e se alimenta do seu (...) porventura demasiado real caso humano". Acompanhará sucessivas reedições de uma parte dos poemas com extenso e elucidativo prefácio, datado de 1950, onde faz análise valiosíssima, exaltando a obra e destacando alguns dos mais brilhantes momentos da poetisa...

Mas é, possivelmente, António Ferro que, em artigo do Diário de Noticias, logo em Janeiro de 1931, chama a atenção para a poesia de Florbela e provoca um acordar de críticos e leitores que até ao presente se não extingue.



POESIA. CONCEITOS E PRECONCEITOS DE AMOR




É a poesia que fará de Florbela o vulto que é. Quase sempre em forma de soneto.

Salvo umas tantas excepções. Algumas quadras incluídas por Rui Guedes em valiosa edição abrangendo a totalidade ou quase da poesia de Florbela .

Uma delas, com um certo sabor à chamada quadra popular:

Tenho por ti uma paixão
Tão forte tão acrisolada,
Que até adoro a saudade
Quando por ti é causada

ou esta

Que filtro embriagante
Me deste tu a beber?
Até me esqueço de mim
E não te posso esquecer...

O seu Alentejo merece-lhe palavras de exaltação. Em soneto a que chama No meu Alentejo que inclui em carta à directora de Modas e Bordados exprime-a nos tercetos finais

Tudo é tranquilo e casto e sonhador...
Olhando esta paisagem que é uma tela
De Deus, eu penso então: Onde há pintor

Onde há artista de saber profundo,
Que possa imaginar coisa mais bela,
Mais delicada e linda neste Mundo?

Escreve também poemas de sentido patriótico. Um deles, dirigido às mães, apelando que calem as suas mágoas pelos filhos que lutam e morrem na guerra em defesa da Pátria, e alguns outros de sentido semelhante.

Mas Florbela lembra claramente que o que a preocupa é o Amor, e os ingredientes que romanticamente lhe são inerentes: a solidão, a tristeza, a saudade, a sedução, a evocação da morte, entre outros... E o desejo. Mesmo quando trata outros temas, diz-me alguém que a admira. Olhemos uma das quadras do soneto que intitulou Toledo

As tuas mãos tacteiam-me a tremer...
Meu corpo de âmbar, harmonioso e moço,
É como um jasmineiro em alvoroço,
Ébrio de Sol, de aroma, de prazer!

O grande paradoxo. O amor, como muitas vezes se lhe refere, sugere um sentir onde o erotismo é componente permanente. Exaltado em vários escritos, noutros pretende ser limpo do que na época se consideram impurezas.

Após os vários casamentos, diz desejar morrer virginalmente.

Tudo produto duma moral que interditava à mulher exprimir o seu prazer sexual, segreda-me uma outra minha amiga, para quem Florbela é o grande expoente da escrita no feminino. As sugestões mais ousadas sobre sexo eram tidas como degradação ou, complacentemente, como provocação, recorda-me.

Pergunta que não terá resposta fácil é saber se Florbela escreve, aproximando-se do explícito, porque pretende romper com os comportamentos tidos como convenientes e dentro do moralmente correcto.

Olhamos o soneto Passeio ao Campo onde começa

Meu Amor! Meu Amante! Meu Amigo! Colhe a hora que passa, hora divina,
bebe-a dentro de mim, bebe-a comigo!

e depois de referir a "cinta esbelta e fina..." e outros atributos da sua própria elegância física, continua

E à volta, Amor... tornemos, nas alfombras
Dos caminhos selvagens e escuros,
Num astro só as nossas duas sombras...

Num outro

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

para concluir

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...



O erotismo não fica por aqui. Num outro poema diz:



Sonhei que era a tua amante querida
......................................................
........................................anelante
estava nos teus braços num instante,
fitando com amor os olhos teus

E ainda em sentido semelhante, estes tercetos

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves, cantando, ao sol, no mesmo ninho...

Beija-mas bem!...Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!...

Mau grado dizeres que, pelo sensualismo, sugerem um sentido libertário, uma interpretação do conjunto da sua obra faz pensar em posição cultural divergente.

Contraditoriamente com essa sensualidade sempre presente, afirma não poder olhar para o relacionamento sexual sem um sentimento de impureza, de brutalidade. Em alguns trechos, onde mais fortemente sugerido, as mulheres são impuras, megeras ou sujeito de outros qualificativos semelhantes.

O casamento e a posse são brutalidades, afirma e repete.



A PROSA
Florbela com o irmão, Apeles.

A prosa de Florbela exprime-se através do conto e de um diário que antecede a sua morte e em cartas várias, de natureza familiar umas, outras tratando de questões relacionadas com a sua produção literária, quer num sentido interrogativo quanto à sua qualidade, quer quanto a aspectos mais práticos, como a sua publicação. Nas diferentes manifestações epistolares sobressaem qualidades que nem sempre estão presentes na restante produção em prosa - naturalidade e simplicidade.

Nos contos, compilados em dois volumes, O Dominó Preto e As Máscaras do Destino, muitas vezes um certo sentido autobiográfico, intimista.

No já referido À margem de um soneto, como atrás dizemos, parece pretender retratar as diferentes personalidades em que se vê, contraditórias e provocantes em relação à época

Num outro conto, Amor de outrora, pressente-se um recordar de ocorrências da sua vida e dos seus enganos e desenganos de amor, desde o primeiro ao terceiro casamento. Várias cartas, para os maridos e para os apaixonados que aparentemente pretende afastar, e para o pai, em que procura justificar algumas situações, ajudam a este entendimento.

Em Crime do Pinhal, ao lado dos "lavadores de honra" pelo assassinato de um sedutor, duas mães no afecto da mesma criança. As suas "madrastas mães" cujo grande e simultâneo afecto por Florbela é retribuído?

No inicio de As Máscaras do Destino, dedicatória a Apeles, o seu Morto, para quem mais uma vez palavras de exaltação e dor, que complementa em O Aviador, visão mítica da morte do irmão amado.

Ao longo dos contos encontram-se frases de grande beleza e força. As expressões de desejo, carregadas de erotismo, atribuídas à personagem do segundo dos referidos contos – que, de algum modo, exprimem as suas contradições na transição para a libertação da mulher. Não podemos porém deixar de os considerar por vezes carecendo de uma certa densidade. Um excessivo uso de palavras e imagens, que pouco ou nada acrescentam ao que pretende sugerir, contribui para uma menos conseguida "análise profunda dos sentimentos e paixões", observa Y. Centeno. E, como nota a mesma escritora, quase permanente é a qualificação das mulheres em puras e impuras, em excelentes e megeras.

As suas cartas, sem a pretensão da criação literária, e talvez por isso, a par da informação factual, apresentam uma visão muito menos enfeitada e artificiosa da sua vivência. Permitem conhecê-la melhor e exprimem estados de alma mais próximos duma humanidade real do que a sua prosa formal e, até, alguns dos seus momentos poéticos.

Sobressaem as que envia à sua amiga Júlia Alves, com quem nunca se encontrará, com quem troca impressões sobre os mais variados assuntos e a quem expõe a sua alma à medida que o relacionamento vai progredindo. Numa delas dirá: "preciso tanto de ser embalada devagarinho... suavemente... como uma criança pequenina, sonhando de olhos fechados, num regaço carinhoso e quente!..." O que talvez ajude a compreender a sua vida e a sua morte.

Numa outra, já após o primeiro casamento, afirma - e isto é por ela redito e contradito: "uma das coisas melhores da nossa vida... é o amor, o grande e discutido amor... " acrescentando umas linhas a seguir que "no entanto, o casamento é brutal, como a posse é sempre brutal..."

Escreve à sua amiga com frequência que não deixa de surpreender. Em dias seguidos. Num mesmo dia três missivas distintas. Na que se presume ser a última, um pouco menos de um ano depois da primeira, e já sem o calor que se pressente nas anteriores, agradece dizendo que não esquece o ter-se sentido compreendida e estimada

Em correspondência dirigida a outras personalidades mostra-se triste pois não vê facilitado o caminho para a publicação dos seus livros.

A Raul Proença deixa claro o seu desânimo com o que este pensa dos seus versos, juntando outros sonetos perguntando se desses gosta. O escritor virá a proporcionar-lhe a publicação (Livro de Mágoas).

Traduzirá dois livros (e possivelmente outros), um de Pierre Benoit, Mademoiselle de la Ferté, que constitui leitura obrigatória dos adolescentes da década seguinte à sua morte, e Dois Noivados de Clambol, editados pela Liv. Civilização, do Porto. Assina as traduções como Florbela Espanca Lage. Antes, em várias circunstâncias, usara Florbela Moutinho, apelido do primeiro marido.



O FIM

Florbela Espanca


No último ano de vida elabora um Diário, onde deixará anotações até escassos dias antes do trágico fim. Prefácio a esse fim.

Logo no início explica não ter qualquer objectivo ao escrevê-lo.

Pouco depois do começo espera que "quando morrer é possível que alguém" ao lê-lo "se debruce com um pouco de piedade, um pouco de compreensão," sobre o que foi ou julgou ser. "E realize o que eu não pude: conhecer-me".

Define-se "honesta sem preconceitos, amorosa sem luxúria, casta sem formalidades, recta sem princípios, e sempre viva", o que encaminha para algumas das questões que se põem..

Depois de recordar os nomes de companheiros e mostrar uma vez mais o amor pelo irmão, Apeles, aviador, cujo desaparecimento em desastre do seu avião a faz sentir mais só. Diz não compreender o medo que a morte causa à jovem autora de um Diário de que reproduz algumas frases.

Examina-se diante do espelho e dizendo-se "grosseira e feia, grotesca e miserável" põe em dúvida se saberia fazer versos. Colocando-nos uma vez mais em face das contradições que a atormentam permanentemente e que exprime numa outra frase: "Viver é não saber que se vive".

À medida que caminha para o final as anotações são cada vez mais raras e curtas.

Afirma que as cartas de amor que escreveu resultavam apenas da sua necessidade de fazer frases. E em oposição frontal com o dito páginas atrás escreve "se os outros não me conhecem, eu conheço-me".

Poucos dias antes de morrer interroga-se "que importa o que está para além?" Responde, repetindo o que diz no soneto A um moribundo: seja o que for será melhor que o mundo e que a vida.

A morte anunciada ao longo da sua escrita ocorrerá pouco depois. Põe fim à vida em 8 de Dezembro de 1930, dia em que faz trinta e seis anos, em Matosinhos, onde vive. Aí é enterrada sendo mais tarde trasladada para a sua terra natal.

Com Florbela morre, não talvez a maior poetisa do seu tempo, mas uma das que mais agudamente e sem temor exprimiu as grandes contradições da sensibilidade feminina nas suas paixões. Ao mesmo tempo, com uma certa ingenuidade, impregnada das verdades simples ou complexas do que é a mulher, na convergência da cultura e do ser.

Que conduz Florbela para a morte?

Fernanda de Castro, em escrito citado por Carlos Sombrio, sintetiza a resposta: "Porque nunca soube pôr de acordo o seu corpo, o seu espírito e a sua alma".

Do acontecimento os jornais quase não dão notícia. Fá-lo-ão a partir daí.

Postumamente são publicadas, por iniciativa do professor Guido Batelli, como atrás se diz, os dois livros de poemas Charneca em Flor e Reliquiae, duas colectâneas de contos, Dominó Negro e Máscara do Destino e uma outra de poesia, Juvenilia.

Começo de uma sucessão de reedições que no caso da poesia alcança já, em alguns casos, a ordem das três dezenas, ou mais, se recordarmos a dispersão editorial.

E alem das de Guido Batelli, algumas traduções, não apenas para italiano.



Gica

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Ciência e humor na diferença entre os cérebros masculino e feminino

Assim como homens e mulheres são visualmente diferentes, suas estruturas cerebrais também têm peculiaridades próprias. Cada um dos sexos tende a usar o cérebro de modos distintos para, por exemplo, achar caminhos no trânsito, desengavetar lembranças, trocar idéias com amigos ou fazer compras.

As diferenças entre o cérebro masculino e o feminino são, ao lado de culturais, responsáveis por aptidões mais tipicamente masculinas ou femininas. É o que acreditam pesquisadores como o psicólogo Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido e o neurologista Matthias Riepe, da Universidade de Ulm, Alemanha.

O cérebro feminino, por exemplo, tende a ser mais organizado para dar conta da linguagem. Mulheres costumam se dar melhor em testes de fluência verbal. Elas têm, por exemplo, mais facilidade em recordar uma lista de palavras começando com a mesma letra.

Na orientação espacial, ponto para os homens. Na média, o sexo masculino tem também mais facilidade em visualizar objectos em rotação, identificar figuras geométricas escondidas num desenho mais amplo, calcular distâncias e velocidades. E, como os macacos machos, os homens são mais precisos em acertar objectos em determinado alvo.

Já a coordenação motora fina é melhor entre as mulheres. Elas também têm mais facilidade em identificar com rapidez figuras idênticas entre imagens semelhantes ou perceber se determinado objecto foi removido do lugar. O sexo feminino costuma ser melhor em testes de associações de idéias - fazer uma lista de objectos com a mesma cor, por exemplo.

Diferenças à parte, ninguém é menos inteligente. Nos testes de QI, homens costumam ir melhor nas questões relacionadas à inteligência não-verbal; e mulheres, nas de inteligência verbal. Na média, porém, o QI feminino e o masculino são os mesmos.

Não faltam estudos que apontam diferenças no cérebro masculino e feminino. Em relação à linguagem, por exemplo, uma pesquisa da Universidade Yale, nos Estados Unidos, mostra que as mulheres processam as informações nos dois lados do cérebro, geralmente com predominância do esquerdo. Já os homens tendem a utilizar só o hemisfério esquerdo e nada mais. Essa diferença ajuda a explicar o melhor desempenho feminino na linguagem verbal. Nas tarefas relacionadas à orientação espacial, também há variações. Apenas os homens utilizam de forma significativa os dois lados de uma região cerebral chamada hipocampo - possível explicação para a vantagem masculina.

"Homens e mulheres têm cérebro organizado de formas diferentes", afirma o neurologista Matthias Riepe, da Universidade de Ulm, na Alemanha. "Isso pode parecer estranho do ponto de vista social, mas é completamente natural do ponto de vista neurológico."

Quer dizer, então, que homens são de Marte e mulheres de Vénus? "Não, são todos da Terra", ironiza o psicólogo Simon Baron-Cohen. Afinal, as diferenças não são tão extremas assim, afirma em seu livro "The Essencial Difference" (A Diferença Essencial), lançado neste ano no Reino Unido. "As variações são estatísticas, mas cada indivíduo é diferente." Claro que há mulheres excelentes em matemática e homens com enorme habilidade verbal, exemplifica.

Mas para Baron-Cohen, há uma diferença básica entre a média dos homens e das mulheres. Pelo seu raciocínio, homens tendem a ter mais habilidade na sistematização. Ou seja, têm o cérebro mais bem estruturado para entender sistemas baseados em regras rígidas de causa e consequência. Daí a maior habilidade masculina nas ciências exactas e na orientação espacial.

No cérebro feminino, a marca é a empatia. "Mulheres tendem a ter mais facilidade em identificar emoções alheias e em responder de forma apropriada." Para Baron-Cohen, a empatia é estreitamente associada à habilidade verbal. Um factor é ao mesmo tempo causa e consequência do outro.



Gica

sábado, 23 de maio de 2009

Maria Adelaide Teixeira da Cunha, relato de uma paixão



Manuela Gonzaga
Publicada por Maria Manuel

Sinopse

Filha e herdeira do fundador do 'Diário de Notícias'. Mulher do administrador do mesmo jornal, o escritor Alfredo da Cunha. Presa num manicómio por um «crime de amor». Os factos relevantes têm início em Novembro de 1918: era uma vez uma senhora muito rica que fugiu de casa, trocando o marido, escritor e poeta, por um amante. Tinha quarenta e oito anos, pertencia à melhor sociedade portuguesa. O homem por quem esta senhora se apaixonou tinha praticamente metade da sua idade e fora seu motorista particular. Era herdeira do 'Diário de Notícias' e a sua história chocou a sociedade da época.

Excertos

«Entre dever e amor, o segundo ganhou.»

«Se em vez de me haver deixado apaixonar por um filho do povo, me tivesse agradado dum duque ou dum marquês, nem eu era uma doente, nem a família se julgava desonrada.

Não, (…) decididamente, ou estamos todos doidos ou quem o está não sou eu!»

«De onde eu depreendi que, para vir parar a um hospital de doidos, não é preciso estar doido, basta que os antepassados tenham tido no coração qualquer doença! Como a ciência avança!»



Quando no dia 13 de Novembro de 1918, Maria Adelaide Coelho da Cunha saiu de casa para não mais voltar nunca pensou no desfecho que a sua fuga iria tomar. Santa Comba Dão acolheu o amor desta dama da sociedade pelo seu antigo motorista, Manuel Claro, mas poucos dias depois do seu desaparecimento o seu marido, Alfredo da Cunha, decide colocar um anúncio no jornal de que era administrador “Diário de Notícias”.

Maria Adelaide tinha abandonado um casamento de 28 anos com Alfredo da Cunha, e um filho, José Eduardo Coelho da Cunha de 26 anos, licenciado em Direito. «Tinha 48 anos e era uma figura incontornável na vida social lisboeta e o casal era apontado como exemplo de harmonia conjugal».

«Enquanto casada, Maria Adelaide tinha uma vida social intensa. Além de conviver bastante, viajava muito também com o marido por vários países da Europa ver peças ou teatro e locais históricos».

No entanto, segundo alguns testemunhos de amigos, familiares e criados, a partir de 1917, Maria Adelaide sofreu uma grande mudança de atitudes.

Após 11 dias de ter fugido para Santa Comba Dão é descoberta pelo marido e pelo filho e acaba por ser levada para o Conde de Ferreira, no Porto, onde foi diagnosticada como louca. Naquela instituição Maria Adelaide passou a ficar constantemente vigiada e mesmo uma carta teria de passar pela «pela censura da Direcção, acrescentara-lhe o “salvo conduto – umas palavras de louvor ao modelar Conde de Ferreira”, porque a única forma das cartas seguirem “é dizer bem do hospital”».

Entretanto, Maria Adelaide consegue passar estas palavras, de uma forma camuflada, a Manuel Claro, sobre as condições com que a puseram no hospital psiquiátrico.

«Imagina que não me fizeram nenhum exame médico para aqui me meterem; mas o dinheiro pode tudo e a prova está à vista. É preciso que desconfies de tudo e de todos em toda a parte e principalmente do Balbino Rego que teve tudo isto um papel de miserável, como depois de contarei…”»

Não era de admirar. O decreto de 11 de Maio de 1911 dizia que qualquer pessoa poderia requerer o internamento de outra no manicómio, desde que apresentasse o atestado de dois médicos e um exame de Júlio de Matos. E assim foi. Maria Adelaide foi internada no Conde de Ferreira e «arcou com um diagnóstico de loucura que lhe foi aposto com assinaturas de Júlio de Matos, Egas Moniz e Sobral Cid». Depois disso ainda viria a perder todos os seus bens.

«Em silêncio deixou-se conduzir ao pavilhão das criminosas. Era o dia 26 de Fevereiro de 1919. Durante uns brevíssimos e felicíssimos 23 dias fora a “rapariga de Manuel”.

Agora voltava a ser uma louca.»

Durante oito meses, Maria Adelaide permanece no manicómio e, só mais tarde, em praça pública, é que decide contar o seu «crime de amor». Manuel Claro também estivera preso, na Cadeia da Relação, no Porto, durante praticamente quatro anos.

Mas o amor superou tudo. Maria Adelaide viria a morrer na sua casa, no Porto, no dia 23 de Novembro de 1954, com 85 anos. Manuel Claro morreria em 1967, vítima de cancro. Viveram juntos mais de 30 anos, sem nunca terem casado.

Esta história surpreendente, que me deixou sem fôlego tal o enredo que a própria autora, Manuela Gonzaga, tão bem urdiu, surgiu através dos actuais donos do palácio de São Vicente, que em 2003 descobriram que de um fundo falso de uma pesada secretária, surgiu «um precioso acervo de minutas de cartas, bilhetes e notas enviadas a quem privou com o casal (Maria Adelaide e Alfredo da Cunha) – amigos, familiares e antigos serviçais do palácio - , a quem se pedia depoimentos sobre os tempos felizes de São Vicente. Também ali se encontravam relatórios e pareceres fundamentados nos exames psiquiátricos feitos a Maria Adelaide e assinados pelos mais ilustres professores da especialidade…E, ironia amarga, ali estava também o seu lacónico bilhete, escrito em Santa Comba Dão, e colocado nos correios de Aveiro, conhecido como «a carta do lacre verde»».

Um excelente relato da história que, além de contar todas as peripécias pelas quais passou o casal de apaixonados, ainda centra a vida de Maria Adelaide no contexto história em que ela viveu. Um livro que recomendo a todos os amantes da história de Portugal no início do século XX e de como as mulheres eram tratadas caso não ‘obedecessem’ às regras estipuladas.

Esta linda história de amor também já tinha servido de mote a Monique Rutler, que realizou o filme Solo de Violino, em 1992, cujos protagonistas foram André Gago, no papel de Manuel Claro e Fernanda Lapa no papel de Maria Adelaide. «O filme viajou pelo mundo inteiro, estando presente em numerosos festivais nomeadamente em Nova Iorque, Cannes, Berlim, Cairo e Florença», mas infelizmente não está disponível em circuito comercial, «e a RTP passou-o duas vezes apenas nestes anos todos. O mesmo se pode dizer da banda sonora, com assinatura de Constança Capdville».


Pode ainda ver o relato da história no programa Tardes da Júlia, e então fazer uma visita ao site da própria escritora, Manuela Gonzaga


Gica

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Mary Cassat





Mary Cassat nasceu em 22 de Maio de 1844, na cidade de Allegheny, Estados Unidos e faleceu em 14 de Junho de 1926 em Château de Beaufresne, perto de Paris. É considerada uma grande pintora impressionista.


Biografia
Filha de um homem de negócios influente em Pittsburgh, de descendência francesa, mas tinha uma grande paixão pelos Estados Unidos, estudou arte na Academia de Artes da Pensilvânia na Filadélfia. Participou de várias exibições de quadros impressionistas, nos anos de 1879, 1880, 1881 e 1886. Conheceu pintores como Manet, Monet, Morisot, Renoir, Degas e Pissarro. Sendo que Degas foi seu marido. Tinha estilo próprio e muito defendida por Degas dos severos críticos da época. Pintou um quadro chamado Senhora no Teatable em 1885 posteriormente adquirido pelo Museu Metropolitano de Nova Yorque. Devido a influência de Degas, seus trabalhos foram marcados com ênfase no estilo suave ou lírico da pintura

Obras
Temos a seguir uma sequencia de pinturas por ela feita, com seu nome, data da pintura e tempo, alguns consta sua medida oficial e local aonde encontra-se atualmente.

Duas mulheres assentadas por um córrego da floresta 1869 - Coleção Particular, Paris
Em um balcão durante um carnival 1873 - Óleo sobre tela Museu de Arte de Filadélfia
O Toreador 1873 - Óleo sobre tela - Instituto de arte de Chicago
Menina pequena em uma poltrona azul - 1878 - Óleo sobre tela - Galeria nacional de arte de Washington.
No teatro - 1879 - Pastel no papel - Museu Nelson-Atkins de arte da cidade de Kansas
Leitura de mulher em um jardim - 1880 - Instituto de arte de Chicago
Femme Cousant (mulher nova que senta no jardim) 1880-82 - Óleo sobre tela medidas - 36 x 25 1/2 - Museu d'Orsay Paris
Mulher no preto (noir do en de Femme) 1882 Óleo sobre tela , 100,6 x 74 cm (39 3/4 x 29 ) Museu d'Orsay
A Lâmpada 1891 Aquarela no papel com técnicas Instituto da arte de Chicago
La Toilette 1891 Óleo sobre tela - 39 1/2 x 26 dentro - Instituto da arte de Chicago
O Partido 1893-94 Óleo sobre tela - 90,2 x 117,5 cm (35 1/2 x 46 1/4 ) - Galeria nacional da arte, Washington
Mãe e criança de encontro a um fundo verde (maternidade) 1897 - Pastel no papel, bege sobre tela - Musee d'Orsay, Paris
Mãe e criança 1888 - Pastel no papel - Instituto da arte de Chicago
Mãe e criança - (o espelho oval) 1901 - Museu metropolitano de arte de Nova Yorque.
Margot no azul - 1902 - Pastel no papel prensado com parte traseira clara da tela - Galeria de Arte Walters em Baltimore, Midland - Estados Unidos

Caracolinhos

domingo, 17 de maio de 2009

Irena Sendler

Irena Sendler, em língua polaca Irena Sendlerowa, (15 de Fevereiro de 1910 - 12 de Maio de 2008), também conhecida como "o anjo do Gueto de Varsóvia", foi uma activista dos direitos humanos durante a Segunda Guerra Mundial, tendo contribuido para salvar mais de 2.500 vidas ao levar alimentos, roupa e medicamentos às pessoas barricadas no gueto, com risco da própria vida.

A Mãe das crianças do Holocausto
A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade. - Irena Sendler

Quando a Alemanha Nazi invadiu o país em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia, que organizava os espaços de refeição comunitários da cidade. Ali trabalhou incansavelmente para aliviar o sofrimento de milhares de pessoas, tanto judias como católicas. Graças a ela, esses locais não só proporcionavam comida para órfãos, anciãos e pobres como lhes entregavam roupa, medicamentos e dinheiro.

Em 1942, os názis criaram um gueto em Varsóvia, e Irena, horrorizada pelas condições em que ali se sobrevivia, uniu-se ao Conselho para a Ajuda aos Judeus, Zegota. Ela mesma contou: "Consegui, para mim e minha companheira Irena Schultz, identificações do gabinete sanitário, entre cujas tarefas estava a luta contra as doenças contagiosas. Mais tarde tive êxito ao conseguir passes para outras colaboradoras. Como os alemães invasores tinham medo de que ocorresse uma epidemia de tifo, permitiam que os polacos controlassem o recinto."

Quando Irena caminhava pelas ruas do gueto, levava uma braçadeira com a estrela de David, como sinal de solidariedade e para não chamar a atenção sobre si própria. Pôs-se rapidamente em contacto com famílias, a quem propôs levar os seus filhos para fora do gueto, mas não lhes podia dar garantias de êxito. Eram momentos extremamente difíceis, quando devia convencer os pais a que lhe entregassem os seus filhos e eles lhe perguntavam: "Podes prometer-me que o meu filho viverá?". Disse Irena, "Quê podia prometer, quando nem sequer sabia se conseguiriam sair do gueto? A única certeza era a de que as crianças morreriam se permanecessem lá. Muitas mães e avós eram reticentes na entrega das crianças, algo absolutamente compreensível, mas que viria a se tornar fatal para elas. Algumas vezes, quando Irena ou as suas companheiras voltavam a visitar as famílias para tentar fazê-las mudar de opinião, verificavam que todos tinham sido levados para os campos da morte.

Ao longo de um ano e meio, até à evacuação do gueto no Verão de 1942, conseguiu resgatar mais de 2.500 crianças por várias vias: começou a recolhê-las em ambulâncias como vítimas de tifo, mas logo se valia de todo o tipo de subterfúgios que servissem para os esconder: sacos, cestos de lixo, caixas de ferramentas, carregamentos de mercadorias, sacas de batatas, caixões... nas suas mãos qualquer elemento transformava-se numa via de fuga.

Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos de paz e por isso não fica satisfeita só por manter com vida as crianças. Queria que um dia pudessem recuperar os seus verdadeiros nomes, a sua identidade, as suas histórias pessoais e as suas famílias. Concebeu então um arquivo no qual registava os nomes e dados das crianças e as suas novas identidades.

Os názis souberam dessas actividades e em 20 de Outubro de 1943 Irena Sendler foi presa pela Gestapo e levada para a infame prisão de Pawiak onde foi brutalmente torturada. Num colchão de palha encontrou uma pequena estampa de Jesus Misericordioso com a inscrição: “Jesus, em Vós confio”, e conservou-a consigo até 1979, quando a ofereceu ao Papa João Paulo II.

Ela, a única que sabia os nomes e moradas das famílias que albergavam crianças judias, suportou a tortura e negou-se a trair seus colaboradores ou as crianças ocultas. Quebraram-lhe os ossos dos pés e as pernas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação. Foi condenada à morte. Enquanto esperava pela execução, um soldado alemão levou-a para um "interrogatório adicional". Ao sair, gritou-lhe em polaco "Corra!". No dia seguinte Irena encontrou o seu nome na lista de polacos executados. Os membros da Żegota tinham conseguido deter a execução de Irena subornando os alemães, e Irena continuou a trabalhar com uma identidade falsa.

Em 1944, durante o Levantamento de Varsóvia, colocou as suas listas em dois frascos de vidro e enterrou-os no jardim de uma vizinha para se assegurar de que chegariam às mãos indicadas se ela morresse. Ao finalizar a guerra, Irena desenterrou-os e entregou as notas ao doutor Adolfo Berman, o primeiro presidente do comité de salvação dos judeus sobreviventes. Lamentavelmente a maior parte das famílias das crianças tinha sido morta nos campos de extermínio názis. De início, as crianças que não tinham família adoptiva foram cuidadas em diferentes orfanatos e pouco a pouco foram enviadas para a Palestina.

As crianças só conheciam Irena pelo seu nome de código "Jolanta". Mas anos depois, quando a sua fotografia saiu num jornal depois de ser premiada pelas suas acções humanitárias durante a guerra, um homem chamou-a por telefone e disse-lhe: "Lembro-me da sua cara. Foi você quem me tirou do gueto." E assim começou a receber muitas chamadas e reconhecimentos públicos.

Em 1965 a organização Yad Vashem de Jerusalém outorgou-lhe o título de Justa entre as Nações e nomeou-a cidadã honorária de Israel.

Em Novembro de 2003 o presidente da República Aleksander Kwaśniewski, concedeu-lhe a mais alta distinção civil da Polónia: a Ordem da Águia Branca. Irena foi acompanhada pelos seus familiares e por Elżbieta Ficowska, uma das crianças que salvou, que recordava como "a menina da colher de prata".

Proposta para o Nobel da Paz

Irena Sendler foi apresentada como candidata para o prémio Nobel da Paz pelo Governo da Polónia. Esta iniciativa pertenceu ao presidente Lech Kaczyński e contou com o apoio oficial do Estado de Israel através do primeiro-ministro Ehud Olmert, e da Organização de Sobreviventes do Holocausto residentes em Israel.

As autoridades de Oświęcim (Auschwitz) expressaram o seu apoio a esta candidatura, já que consideraram que Irena Sendler era uma dos últimos heróis vivos da sua geração, e que tinha demonstrado uma força, uma convicção e um valor extraordinários frente a um mal de uma natureza extraordinária.

O prêmio no entanto foi dado a Al Gore pelo slide show sobre o clima global.



Gica

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Vivienne Westwood





Uma professora que se tornou uma designer de moda, Westwood é uma das designers Britânicas que maior influência tem na moda e uma das mais reconhecidas no mundo fashion dos últimos 20 anos. Uma vez ela disse que a moda 'dá realce à vida e como tudo que dá prazer, vale a pena fazê-lo bem'.

Formação: Westwood começou a desenhar modelos e a vender roupa na sua loja, 'Let it Rock', na Kings Road em 1971. A sua moda tornou-se muito ligada à explosão do punk.

Descoberta: Em 1976, Malcolm McLaren, que era o seu sócio e amante da época, vestiu a sua Banda “Sex Pistols” com as roupas da boutique de Westwood. A partir desse momento, o sucesso estava garantido entre as estrelas.

Trabalho: Em 1981, sua primeira colecção de roupas em Londres de nome 'Pirate', colocou Westwood entre os nomes dos criadores da moda destacando-se pelo talento original e inédito dos seus designs. Em 1983 tornou-se a primeira designer Britânica feminina a frequentar as passarelas de Paris desde a época de Mary Quant, na década dos anos 60.

Estilo: A peculiaridade do seu estilo não clássico chegou ao grande mundo da moda tornando-a um exemplo do estilo Britânico e da roupa de qualidade no estrangeiro.

Prémios: Nos anos de 1990 e 1991, Westwood foi nomeada a Designer Britânica do Ano e depois recebeu o prêmio OBE em reconhecimento de seus serviços em prol da moda Britânica. Em 1998 e em 2002 ganhou o Prémio de exportação do Reino Unido, da Rainha da Inglaterra.

caracolinhos

terça-feira, 12 de maio de 2009

Uma mulher vista pelo nosso grande poeta António Gedeão


Calçada de Carriche

Luísa sobe,

sobe a calçada,

sobe e não pode

que vai cansada.

Sobe, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe

sobe a calçada.

Saiu de casa

de madrugada;

regressa a casa

é já noite fechada.

Na mão grosseira,

de pele queimada,

leva a lancheira

desengonçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.



Luísa é nova,

desenxovalhada,

tem perna gorda,

bem torneada.

Ferve-lhe o sangue

de afogueada;

saltam-lhe os peitos

na caminhada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.



Passam magalas,

rapaziada,

palpam-lhe as coxas

não dá por nada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.



Chegou a casa

não disse nada.

Pegou na filha,

deu-lhe a mamada;

bebeu a sopa

numa golada;

lavou a loiça,

varreu a escada;

deu jeito à casa

desarranjada;

coseu a roupa

já remendada;

despiu-se à pressa,

desinteressada;

caiu na cama

de uma assentada;

chegou o homem,

viu-a deitada;

serviu-se dela,

não deu por nada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

Na manhã débil,

sem alvorada,

salta da cama,

desembestada;

puxa da filha,

dá-lhe a mamada;

veste-se à pressa,

desengonçada;

anda, ciranda,

desaustinada;

range o soalho

a cada passada,

salta para a rua,

corre açodada,

galga o passeio,

desce o passeio,

desce a calçada,

chega à oficina

à hora marcada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga;

toca a sineta

na hora aprazada,

corre à cantina,

volta à toada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga.

Regressa a casa

é já noite fechada.

Luísa arqueja

pela calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

Poesias Completas (1956-1967) António Gedeão

Gica

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Maluda





Maria de Lurdes Ribeiro, conhecida por Maluda (Pangim, 15 de Novembro de 1934 - Lisboa, 10 de Fevereiro de 1999) foi uma importante pintora portugues

Biografia
Nasceu na cidade de Pangim, em Goa, no então Estado Português da Índia. Viveu desde 1948 em Lourenço Marques (actual Maputo), onde começou a pintar e onde formou, com mais quatro pintores, o grupo que se intitulou "Os Independentes", que expôs colectivamente em 1961, 1962 e 1963. Em 1963 obteve uma bolsa de estudos da Fundação Calouste Gulbenkian e viajou para Portugal, onde trabalhou com o mestre Roberto de Araújo em Lisboa. Entre 1964 e 1967 viveu em Paris, bolseira da Gulbenkian. Aí trabalhou na Académie de la Grande Chaumière com os mestres Jean Aujame e Michel Rodde. Foi nessa altura que se interessou pelo retrato e por composições que fazem a síntese da paisagem urbana, com uma paleta de cores muito característica e uma utilização brilhante da luz, que conferem às suas obras uma identidade muito própria e inconfundível.

Em 1969 realizou a sua primeira exposição individual na Galeria do Diário de Notícias, em Lisboa. Em 1973 realizou uma grande exposição individual na Fundação Gulbenkian, que obteve grande sucesso, registando cerca de 15.000 visitantes e lhe deu grande notoriedade a partir de então.

Entre os anos de 1976 e 1978 foi novamente bolseira da Fundação Gulbenkian, estudando em Londres e na Suíça.

A partir de 1978 dedicou-se também à temática das janelas, procurando utilizá-las como metáfora da composição público-privado.

Em 1979 recebeu o Prémio de Pintura da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa. Nesse ano realizou ainda uma exposição na Fundação Gulbenkian em Paris. A partir de 1985, Maluda foi convidada para fazer várias séries de selos para os CTT. Dois selos da sua autoria ganharam, na World Government Stamp Printers Conference, em Washington, em 1987 e em Périgueux (França), em 1989, o prémio mundial para o melhor selo. Em 1994 recebeu o prestigiado prémio Bordalo Pinheiro, atribuído pela Casa da Imprensa. No âmbito da "Lisboa Capital da Cultura", realizou uma exposição individual no Centro Cultural de Belém em Lisboa.

Em 1998 foi agraciada pelo Presidente da República Jorge Sampaio com a Ordem do Infante D. Henrique, ao mesmo tempo que realizou a sua última exposição individual, "Os selos de Maluda", patrocinada pelos CTT.

Maluda morreu em Lisboa em 1999, aos 64 anos. Em testamento, a artista instituiu o "Prémio Maluda" que, durante alguns anos, foi atribuído pela Sociedade Nacional de Belas-Artes.

Embora experimentando vários géneros, incluindo retratos, serigrafias, tapeçarias, cartazes, painéis murais, ilustrações e selos de correio, o cerne principal da pintura de Maluda está muito voltado para a síntese da paisagem urbana, no que a sua arte, segundo Pamplona, segue, conceptualmente, Paul Cézanne (1839-1906), o mestre do Impressionismo. Ou, como escreveu Fernando Pernes, a sua arte representa «um sistemático decantamento da experiência cezanneana».

Os quadros que pintava eram baseados principalmente nas cidades, nomeadamente na pintura de paisagens urbanas, janelas e vários outros elementos arquitectónicos. A notoriedade das suas obras pictóricas aparentemente mais simples (algumas utilizadas em selos oficiais por encomenda dos Correios portugueses), ao mesmo tempo que a promovia a uma das mais populares pintoras portuguesas das últimas décadas do século XX artístico português, também teve o efeito negativo de encobrir uma vasta obra de criação gráfica mais complexa.

Na sua carreira, Maluda efectuou 24 exposições individuais e está representada em vários museus, entre os quais os da Fundação Calouste Gulbenkian e do Centro Cultural de Belém mas também em várias colecções particulares em Portugal e noutros países.

Caracolinhos

terça-feira, 5 de maio de 2009

Carmen Miranda

Infância

Carmen Miranda recebeu o nome de Maria do Carmo Miranda da Cunha quando foi batizada no local onde nasceu, a freguesia de Várzea da Ovelha e Aliviada, concelho de Marco de Canaveses, em Portugal. Era a segunda filha do barbeiro José Maria Pinto Cunha (1887-1938) e de Maria Emília Miranda (1886-1971). Ganhou o apelido de Carmen no Brasil, graças ao gosto que seu pai tinha por óperas.

Pouco depois de seu nascimento, seu pai, José Maria, emigrou para o Brasil, onde se instalou no Rio de Janeiro. Em 1910, sua mãe, Maria Emília seguiu o marido, acompanhada da filha mais velha, Olinda, e de Carmen, que tinha menos de um ano de idade. Carmen nunca voltou à sua terra natal, o que não impediu que a câmara do concelho de Marco de Canaveses desse seu nome ao museu municipal.

No Rio de Janeiro, seu pai abriu um salão de barbeiro na rua da Misericórdia, número 70, em sociedade com um conterrâneo. A família estabeleceu-se no sobrado acima do salão. Mais tarde mudaram-se para a rua Joaquim Silva, número 53, na Lapa.

No Brasil, nasceram os outros quatro filhos do casal: Amaro (1911), Cecília (1913), Aurora (1915 - 2005) e Oscar (1916).

Carmen estudou na escola de freiras Santa Teresa, na rua da Lapa, número 24. Teve o seu primeiro emprego aos 14 anos numa loja de gravatas, e depois numa chapelaria. Contam que foi despedida por passar o tempo cantando, mas o seu biógrafo Ruy Castro diz que ela cantava por influência de sua irmã mais velha, Olinda, e que assim atraía clientes.

Nesta época, a sua família deixou a Lapa e passou a residir num sobrado na Travessa do Comércio, número 13. Em 1925, Olinda, acometida de tuberculose, voltou a Portugal para tratamento, onde permaneceu até sua morte em 1931. Para complementar a renda familiar, sua mãe passou a administrar uma pensão doméstica que servia refeições para empregados de comércio.

Em 1926, Carmen, que tentava ser artista, apareceu incógnita em uma fotografia na seção de cinema do jornalista Pedro Lima da revista Selecta. Em 1929, foi apresentada ao compositor Josué de Barros, que encantado com seu talento passou a promovê-la em editoras e teatros. No mesmo ano, gravou na editora alemã Brunswick, os primeiros discos com o samba Não Vá Sim'bora e o choro Se O Samba é Moda. Pela gravadora Victor, gravou Triste Jandaia e Dona Balbina ou "Buenas Tardes muchachos".

O início da carreira artística
Carmen Miranda em 1930

O grande sucesso veio a partir de 1930, quando gravou a marcha "Pra Você Gostar de Mim" ("Taí") de Joubert de Carvalho. Antes do fim do ano, já era apontada pelo jornal O País como "a maior cantora brasileira".

Em 1933 ajudou a lançar a irmã Aurora na carreira artística. No mesmo ano, assinou um contrato de dois anos com a rádio Mayrink Veiga para ganhar dois contos de réis por mês. Foi a primeira cantora de rádio a merecer contrato, quando a praxe era o cachê por participação. Logo recebeu o apelido de "Cantora do It"[nota 2]. Em 30 de outubro realizou sua primeira turnê internacional, apresentando-se em Buenos Aires. Voltou à Argentina no ano seguinte para uma temporada de um mês na Rádio Belgrano.

Carreira cinematográfica no Brasil

Em 20 de janeiro de 1936, estreou o filme Alô, Alô Carnaval com a famosa cena em que ela e Aurora Miranda cantam "Cantoras do Rádio". No mesmo ano, as duas irmãs passaram a integrar o elenco do Cassino da Urca de propriedade de Joaquim Rolla. A partir de então as duas irmãs se dividiram entre o palco do cassino e excursões freqüentes pelo Brasil e Argentina.

Depois de uma apresentação para o astro de Hollywood Tyrone Power em 1938, aventou-se a possibilidade de uma carreira nos Estados Unidos. Carmen recebia o fabuloso salário de 30 contos de réis mensais no Cassino da Urca e não se interessou pela idéia.

Em 1939, o empresário estadunidense Lee Shubert e a atriz Sonja Henie assistiram ao espetáculo de Carmen no Cassino da Urca. Depois de um espetáculo no transatlântico Normandie, Carmen assinou contrato com o empresário. A execução do contrato não foi imediata, pois a cantora fazia questão de levar o grupo musical Bando da Lua para a acompanhar, mas o empresário estava apenas interessado em Carmen. Depois de voltar para os Estados Unidos, Shubert aceitou a vinda do Bando da Lua. Carmen partiu no navio Uruguai em 4 de maio de 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

A carreira nos Estados Unidos e o começo da consagração
Carmen Miranda no filme The Gang's All Here

Em 29 de maio de 1939 Carmen estreou no espetáculo musical "Streets of Paris", em Boston, com êxito estrondoso de público e crítica. As suas participações teatrais tornaram-se cada vez mais famosas. Em 5 de março de 1940, fez uma apresentação perante o presidente Franklin D. Roosevelt durante um banquete na Casa Branca.

Em 10 de julho de 1940 retornou ao Brasil, onde foi acolhida com enorme ovação pelo povo carioca. No entanto, em uma apresentação no Cassino da Urca com a presença de políticos importantes do Estado Novo, foi apupada pelos que a consideravam "americanizada". Entre os seus críticos havia muitos que eram simpatizantes de correntes políticas contrárias aos Estados Unidos.

Dois meses depois, no mesmo palco, Carmen foi aplaudida entusiasticamente por uma platéia comum. No mesmo mês gravou seus últimos discos no Brasil, onde respondeu com humor às acusações de ter esquecido o Brasil e ter-se "americanizado". Em 3 de outubro, voltou aos Estados Unidos e gravou a marca de seus sapatos e mãos na Calçada da Fama do Teatro Chinês de Los Angeles.

Entre 1942 e 1953 atuou em 13 filmes em Hollywood e nos mais importantes programas de rádio, televisão, casas noturnas, cassinos e teatros norte-americanos. A Política de Boa Vizinhança, implementada pelos Estados Unidos para buscar aliados na Segunda Guerra Mundial, incentivou a imigração de artistas latino-americanos. Apesar de ter chegado nos Estados Unidos antes da criação da Política de Boa Vizinhança, Carmen Miranda sempre foi identificada como a artista de maior sucesso do projeto.

Vida amorosa e casamento

Em 1946, Carmen era a artista mais bem paga de Hollywood e a mulher que mais pagava imposto de renda nos EUA. Em 17 de março de 1947 casou-se com o americano David Sebastian, nascido em Detroit a 23 de novembro de 1908. Antes, Carmen mantivera romances com vários astros de Hollywood e também com o músico brasileiro Aloysio de Oliveira, integrante do Bando da Lua.

Antes de partir para a América, Carmen namorou o jovem Mário Cunha e o bon vivant Carlos da Rocha Faria, filho de uma tradicional família do Rio de Janeiro. Já nos EUA, Carmen manteve casos com os atores John Wayne e Dana Andrews.

O casamento é apontado por todos os biógrafos e estudiosos de Carmen Miranda como o começo de sua decadência física. Seu marido, antes um simples empregado de produtora de cinema, tornou-se "empresário" de Carmen Miranda e conduzia mal seus negócios e contratos. Também era alcoólatra e pode ter estimulado Carmen Miranda a consumir bebidas alcoólicas, das quais ela logo se tornaria dependente. O casamento entrou em crise já nos primeiros meses, mas Carmen Miranda não aceitava o divórcio pois era uma católica convicta. Engravidou em 1948, mas sofreu aborto espontâneo depois de uma apresentação Dependência de barbitúricos

Desde o início de sua carreira americana, Carmen fez uso de barbitúricos para poder dar conta de uma agenda extenuante. Adquiria as drogas com receitas médicas pois, na época, elas eram receitadas pelos médicos sem muitas preocupações com efeitos colaterais. Nos Estados Unidos, tornou-se dependente de vários outros remédios, tanto estimulantes quanto calmantes. Por ser também usuária de tabaco e álcool, o efeito das drogas foi potencializado. Por conta do uso cada vez mais freqüente, Carmen desenvolveu uma série de sintomas característicos do uso de drogas, mas não percebia os efeitos deletérios, que foram erroneamente diagnosticados como estafa por médicos americanos.
Foi numa tarde em 1942. A Igreja estava vazia, a não ser uma moça que rezava contritamente diante do altar de Nossa Senhora das Graças. Uma senhora havia me trazido uma criança para batizar, mas, por morar muito longe daqui, e não poder pagar as passagens para alguém vir, não trouxera madrinha para o filho. Aproximei-me, então, da moça que orava e perguntei-lhe se me faria aquele favor, de repetir, pela criança, as palavras do batismo. Ela concordou imediatamente, serviu como madrinha do bebê. Depois. mandou o seu carro branco buscar o resto da família da pobre senhora para uma festa de batizado na sua casa. Eu soube, então, que a moça era a estrela Carmen Miranda e sua simplicidade deixou-me uma profunda impressão, solidificada, depois, pelas suas constantes vindas à Igreja que se lhe tomou um segundo lar, dando-nos ela um altar novo para Nossa Senhora.

Palavras do padre Joseph na missa do funeral de Carmen Miranda, agosto de 1955



Em 3 de dezembro de 1954, Carmen retornou ao Brasil após uma ausência de 14 anos. Seu médico brasileiro constatou a dependência química e tentou desintoxicá-la. Ficou quatro meses internada em tratamento numa suíte do hotel Copacabana Palace. Carmen melhorou, embora não tenha abandonado completamente drogas, álcool e cigarro. Os exames realizados no Brasil não constataram alterações de freqüência cardíaca.

A morte nos EUA

Ligeiramente recuperada, retornou para os Estados Unidos em 4 de abril de 1955. Imediatamente começou com as apresentações. Fez uma turnê por Cuba e Las Vegas entre os meses de maio e agosto e voltou a usar barbitúricos.

No início de agosto, Carmen gravou uma participação especial no programa televisivo do comediante Jimmy Durante. Durante um número de dança, sofreu um ligeiro desmaio, desequilibrou-se e foi amparada por Durante. Recuperou-se e terminou o número. Na mesma noite, recebeu amigos em sua residência em Beverly Hills, à Bedford Drive, 616. Por volta das duas da manhã, após beber e cantar algumas canções para os amigos presentes, Carmen subiu para seu quarto para dormir. Acendeu um cigarro, vestiu um robe, retirou a maquiagem e caminhou em direção à cama com um pequeno espelho à mão. Um colapso cardíaco fulminante a derrubou morta sobre o chão. Seu corpo foi encontrado pela empregada na mesma noite. Tinha 46 anos.

Funeral e consagração no Brasil

Aurora Miranda, sua irmã, recebeu na mesma madrugada um telefonema do marido de Carmen Miranda avisando sobre o falecimento. Aurora Miranda passou então a notícia para as emissoras de rádio e jornais. Heron Domingues, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foi o primeiro a noticiar a morte de Carmen Miranda em edição extraordinária do Repórter Esso.

Em 12 de agosto de 1955, seu corpo embalsamado desembarcou de um avião no Rio de Janeiro. Sessenta mil pessoas compareceram ao seu velório realizado no saguão da Câmara Municipal da então capital federal. O cortejo fúnebre até o Cemitério São João Batista foi acompanhado por cerca de meio milhão de pessoas que cantavam esporadicamente, em surdina, "Taí", um de seus maiores sucessos.

No ano seguinte, o prefeito do Rio de Janeiro Francisco Negrão de Lima assinou um decreto criando o Museu Carmen Miranda, o qual somente foi inaugurado em 1976 no Aterro do Flamengo.

Hoje, uma herma em sua homenagem se localiza no Largo da Carioca, Rio de Janeiro.

Esta pequena GRANDE mulher, nasceu e morreu portuguesa.




Gica

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Recebi este mail que acho importante para todas as mulheres lerem

informação abaixo, tão importante para todas as mulheres. O câncer ovariano é silencioso - portanto, leia com atenção:

Atente para qualquer dor ou desconforto pélvico ou abdominal, vagos mas persistentes problemas gastrointestinais como gases, náuseas e indigestões;

Vontade de urinar freqüente e/ou urgente, sem que tenha alguma infecção;

Perda ou ganho de peso inexplicável;

Pelve ou abdomen inchados, entumescidos e/ou com sensação de cheio, cansaço anormal, ou mudanças inexplicáveis dos seus hábitos intestinais.

Se esses sintomas persistirem por mais de duas semanas, peça a seu médico uma combinação de exames pélvico/retal, exame de sangue CA-125 e ultrassom transvaginal.

O exame de Papanicolau NÃO detecta câncer ovariano.

caracolinhos

domingo, 3 de maio de 2009

Amália Rodrigues- Rainha do fado





Bibliografia

1920 Amália da Piedade Rodrigues nasceu na Rua Martim Vaz, na freguesia da Pena, próximo da Mouraria, em Lisboa. Os pais eram naturais da Beira Baixa mas radicados em Lisboa durante alguns anos. É a quinta de nove filhos. A data certa do nascimento é desconhecida: em documentos oficiais nasceu a 23 de Julho, mas Amália sempre considerou que nasceu no primeiro dia desse mês. Não é o que ficou declarado no Registo Civil. Para ela o que importava é que foi no tempo das cerejas e no signo do Leão.
1921 Os pais de Amália, por dificuldades de subsistência, regressam para a Beira Baixa deixando Amália em Lisboa a cargo dos avós maternos.
1929 Inicia a escola primária em Lisboa, na Escola Primária da Tapada da Ajuda. É numa festa da escola que canta pela primeira vez em público.
Os pais de Amália voltam novamente para Lisboa, mas Amália continua a viver com os avós.
1932 Arranja emprego como bordadeira depois de terminar a escola primária.
1933 Emprega-se nas fábricas de bolos da Pampulha, em Lisboa.
1934 Passa a morar com os pais e os irmãos na zona operária junto ao Tejo.
1935 Vai trabalhar com a irmã Celeste, dois anos mais nova, no Cais da Rocha, acompanhadas pela mãe, vendedora de fruta. Sai na Marcha de Alcântara, depois de os seus responsáveis a ouvirem cantar na rua, como era seu hábito, cantando como solista "Fado de Alcântara". As marchas populares ficarão para sempre no reportório de Amália.
Numa festa de beneficência, Amália canta pela primeira vez em público acompanhada à guitarra, pelo tio João Rebordão.
1938 Concorre ao Concurso da Rainha do Fado dos Bairros, no qual não chega a participar pois as outras concorrentes ameaçam desistir se ela concorrer, e Amália acaba por desistir da participação. Neste concurso conhece Francisco da Cruz, um jovem de 23 anos, torneiro mecânico e guitarrista amador, com quem se casará em 1940, casamento que dura dois anos. Nos ensaios do Concurso da Rainha do Fado dos Bairros, Amália é notada por um assistente que a recomenda a Jorge Soriano, director da casa de fados Retiro da Severa. A audição foi um sucesso, mas para não contrariar a família, acaba por não aceitar o convite. Como fadista amadora exibe-se em vários locais com o nome de Amália Rebordão, devido ao seu irmão Filipe Rebordão, pugilista relativamente conhecido.
1939 Estreia-se no Retiro da Severa, como fadista profissional. O êxito no Retiro como artista exclusiva é um sucesso, e espalha-se por toda a Lisboa pela boca do público. Imediatamente passa a cabeça de cartaz.
1940 Canta no Solar da Alegria, Café Mondego e Retiro da Severa, como artista exclusiva e já com reportório próprio. É no Solar da Alegria que José de Melo passa a ser seu empresário. É José de Melo que afasta Amália da gravação de discos, com o argumento de que os discos iriam afastar o público das casas de fado.
Inicia a sua colaboração com o poeta Linhares Barbosa, e com Frederico de Brito e Gabriel de Oliveira.
Amália e Francisco da Cruz casam mudando-se para casa da família dele, em Algés.
Estreia-se nos palcos no Teatro Maria Vitória na revista Ora Vai Tu!. Amália é atracção convidada.
Inventa a fadista vestida de negro com xaile negro.
1941 O realizador António Lopes Ribeiro convida-a para integrar o elenco do filme O Pátio das Cantigas, mas o maquilhador António Vilar aponta-a como pouco fotogénica e o seu papel acaba por ser atribuído a Maria Paula.
Canta na Cervejaria Luso, recebendo um conto de réis por actuação, quantia nunca antes paga.
É atracção da revista do Teatro Variedades Espera de Toiros, onde Amália interpreta três fados. Do elenco fazem parte Mirita Casimiro e Vasco Santana.
1942 Estreia a revista Essa É Que É Essa no Teatro Maria Vitória, onde Amália é primeira figura e onde cria "Maria da Cruz". Aqui encontra o compositor Frederico Valério que compreende toda a beleza da sua voz, escrevendo-lhe grandes êxitos. Do elenco fazem parte Alberto Ribeiro, Laura Alves, Costinha e Luísa Durão.
Estreia no Variedades da revista Boa Nova, onde Amália interpreta quatro fados e cuja canção-título é mais um êxito. Do elenco fazem parte Hermínia Silva, Erico Braga e Costinha.
1943 Primeira actuação no estrangeiro. O embaixador Pedro Teotónio Pereira convida-a a actuar em Madrid, onde assistiu a grandes espectáculos de flamenco, música com a qual se identifica. É a esta viagem que Amália atribuía o seu prazer em cantar canções espanholas e flamenco.
Estreia no Teatro Apolo da revista Alerta Está!, onde Amália actua ao lado de Mirita Casimiro e Vasco Santana, interpretando quatro temas.
Amália e Francisco da Cruz separam-se, regressando Amália para casa dos pais.
1944 Na opereta Rosa Cantadeira, onde cria o "Fado do Ciúme", de Frederico Valério, Amália tem já um papel de destaque, ao lado de Hermínia Silva. Estreada no Teatro Apolo, a opereta fica dois meses em cartaz.
Amália canta três fados na nova montagem da opereta A Senhora da Atalaia, onde tem o papel principal.
Estreia da revista Ó Viva da Costa no Teatro Apolo onde Amália é já primeira figura.
Viaja pela primeira vez para o Brasil, onde actua no Casino de Copacabana, o mais famoso casino da América do Sul, num show para ela concebido (Numa Aldeia Portuguesa), em festas, na rádio. O sucesso é tão grande que a sua estada de seis semanas é prolongada por três meses, e Amália só regressa a Portugal com a promessa de voltar no ano seguinte.
1945 Regressa ao Brasil onde permaneceu dez meses, com a Companhia de Revistas Amália Rodrigues. No Teatro República, no Rio de Janeiro, Amália será a vedeta, primeiro, da revista Boa Nova e, depois, da opereta Rosa Cantadeira, ao mesmo tempo actua no Casino de Copacabana no dia de folga da companhia.
Estreia no Teatro República, no Rio, de Boa Nova, onde Amália interpretará seis canções. É o "Fado Carioca" de Frederico Valério, mais conhecido por "Fado Xuxu", que ficará como momento alto da revista.
Estreia de Rosa Cantadeira, onde Amália interpreta seis fados. Três ficarão como clássicos: "Fado do Ciúme", "Perseguição" (o ex-libris de Amália no Brasil) e "Ai Mouraria".
Amália grava os seus primeiros discos, oito 78 RPM com um total de 16 gravações, para a editora brasileira Continental.
1946 Regressa a Lisboa, onde é atracção da revista do Teatro Apolo Estás na Lua!, com Laura Alves e Costinha.
Inicia as filmagens de Capas Negras, sendo substituída por Ercília Costa no elenco de Estás na Lua!,.
É a vedeta de uma nova montagem da opereta Mouraria, no Teatro Apolo, propositadamente feita para ela, onde aparece de vestido negro comprido, com um grande xaile negro, que seria o protótipo dos seus futuros trajes de cena.
1947 Atracção de Se Aquilo que a Gente Sente (última revista em que participou), com Irene Isidro, Vasco Santana e António Silva.
Estreia-se o filme de Armando Miranda Capas Negras, um enorme sucesso comercial que marca a estreia no cinema de Amália e bate todos os recordes de exibição até então, com 22 semanas consecutivas em cartaz no cinema Condes, em Lisboa e onde cria "Não Sei Porque Te Foste Embora", de Frederico Valério. Contracena com Alberto Ribeiro, que cria aqui "Coimbra" sem grande sucesso; só mais tarde, na voz de Amália, a canção correrá mundo.
Filma, em Madrid, 10 Fados, complementos curtos que depois serão exibidas num sem-número de cinemas portugueses entre 1947 e 1949, onde cria Fado Malhoa, Fado Amália, Só à Noitinha.
Estreia-se, no Coliseu do Porto, o filme de Perdigão Queiroga Fado - História de Uma Cantadeira, com Virgílio Teixeira, fortemente publicitado como inspirado pela vida de Amália (o que não corresponde à verdade), e que é um novo êxito comercial.
Estreia no Cinema Eden o primeiro dos 10 Fados filmados em Espanha, Fado da Rua do Sol.
1948 Estreia em Lisboa, no Teatro da Trindade, de Fado - História de Uma Cantadeira.
Recebe o Prémio do SNI para a Melhor Actriz de Cinema pela sua interpretação em Fado - História de Uma Cantadeira.
1949 Divorcia-se de Francisco da Cruz.
Canta no Café Luso e Casino Estoril.
Canta pela primeira vez em Paris (no Chez Carrère), Londres (no Ritz), Rio de Janeiro e S. Paulo.
Estreia de Sol e Toiros, filme de José Buchs onde Amália canta, como convidada, o "Fado do Silêncio" de Raul Ferrão.
Regressa ao Brasil, mas uma doença de voz impede-a de assumir na íntegra os contratos celebrados.
Estreia em Portugal do filme de Leitão de Barros Vendaval Maravilhoso, uma co-produção luso-brasileira narrando a vida do poeta brasileiro Castro Alves. Amália interpreta o papel da musa do poeta, Eugénia Câmara.
1950 Actua nos espectáculos do Plano Marshall para a Europa (Berlim, Dublin, Paris, Berna), como única intérprete ligeira no meio de um elenco predominantemente clássico. Cria Foi Deus, de Alberto Janes. Durante um espectáculo em Dublin, Amália canta "Coimbra", que fica no ouvido da cantora francesa Yvette Giraud, que a populariza em França como "Avril au Portugal".
1951 Grava pela primeira vez em Portugal, para a editora Melodia (Rádio Triunfo).
Primeira grande tournée por África: Moçambique, Angola e Congo Belga.
Canta em Biarritz, San Sebastian e Madrid.
1952 Canta pela primeira vez em Nova Iorque, na boite La Vie En Rose, onde ficará quatro meses em cartaz, recebendo convites para actuar na Broadway, cantando em inglês.
Actua em Genebra, Lausana e Madrid.
Assina contrato com a Valentim de Carvalho, fazendo as suas primeiras gravações para a companhia nos estúdios da EMI inglesa, nos estúdios de Abbey Road, em Londres. Esta colaboração só foi interrompida, no final dos anos 50, por uma passagem breve pela editora francesa Ducretet-Thomson, após o que Amália regressou à Valentim de Carvalho de vez.
1953 Actuações no México, começando a cantar rancheras.
Foi a primeira artista portuguesa a actuar na televisão, no programa Eddie Fisher Show, na cadeia NBC, em Nova Iorque.
1954 Em Hollywood, actua no Mocambo, sendo convidada para o cinema. É convidada para um pequeno papel no filme de Henri Verneuil Os Amantes do Tejo, produção francesa rodada em Lisboa e Paris, com Daniel Gélin e Trevor Howard. No filme Amália canta "Canção do Mar" e "Barco Negro", que se tornam bastante conhecidas arrastadas pelo sucesso do filme.
É editado o seu primeiro LP: Amália Rodrigues Sings Fado from Portugal and Flamenco from Spain, pela Angel Records, EUA. Álbum que nunca foi editado em Portugal, mas teve edições em Inglaterra e França.
1955 Estreia em Portugal de Os Amantes do Tejo.
No Teatro Monumental estreia-se a nova montagem do drama de Júlio Dantas A Severa, numa produção do empresário Vasco Morgado, que constitui e estreia de Amália no teatro declamado, no papel da Severa e Paulo Renato como Marialva.
Estreia em Londres e Paris do filme Os Amantes do Tejo.
Amália muda-se para a Rua de S. Bento, onde morou até à sua morte.
Filma na Cidade do México o documentário Musica de Siempre, com Edith Piaf, onde Amália interpreta "Lisboa Antiga".
Filma duas canções para a curta-metragem britânica April in Portugal, estreada ainda em 1955 na Royal Film Performance de Londres, onde canta "Coimbra", de Raul Ferrão. Edita o seu primeiro LP em França, através da Pathé-Marconi.
Canta no Brasil, México e Espanha.
1956 Canta pela primeira vez no Olympia, em Paris, na festa de despedida de Josephine Baker.
Estreia-se no Olympia como «vedeta», encerrando a primeira parte do show. O sucesso é tal que, terminadas as três semanas do contrato, Amália é convidada para o prolongar mais outras tantas semanas.
Actua na Côte d'Azur, Bélgica, Argélia, México e Brasil
Estreia em Portugal da curta-metragem April in Portugal.
1957 Estreia-se no Olympia de Paris como primeira vedeta absoluta, começando a cantar em francês, criando "Aie, mourir pour toi", escrito expressamente para ela por Charles Aznavour.
Actua no documentário mexicano Canções Unidas, onde filma "Uma Casa Portuguesa".
Canta em França, Suécia, Suíça e Venezuela.
1958 Assina contrato com a editora francesa Ducretet-Thomson, para a qual gravará dois álbuns e cinco EP antes de regressar à Valentim de Carvalho definitivamente.
Estreia o filme de Augusto Fraga Sangue Toureiro, onde Amália é protagonista e interpreta cinco fados de Frederico Valério.
É condecorada por Marcelo Caetano, Ministro da Presidência, na Feira de Bruxelas, com a Ordem Militar de Santiago da Espada, grau de cavaleiro.
Canta pela primeira vez na televisão portuguesa, onde também representa o papel principal da peça O Céu da Minha Rua, de Romeu Correia.
1959 Recebe a Medalha de Honra de Prata da Cidade de Paris das mãos do presidente da Câmara.
Actua no Olympia de Paris e por toda a França, Espanha, Tunísia, Argélia, Grécia e Israel
Estreia em Portugal de Musicas de Siempre.
1961 Casa, no Rio de Janeiro, com o engenheiro César Seabra, que conhecera seis anos antes no Brasil, anunciando abandonar a vida artística. Vive dez meses no Brasil.
Estreia em Portugal de Canções Unidas.
1962 Canta no Festival de Edimburgo, Angola, Espanha, e no Théâtre ABC e na boite La Tête de l'Art de Paris.
É editado o LP Asas Fechadas, também conhecido como Busto, grande viragem na sua vida artística. Nele canta o seu próprio poema Estranha Forma de Vida, Povo Que lavas No Rio, de Pedro Homem de Mello, poemas de David Mourão-Ferreira e, pela primeira vez, músicas de Alain Oulman. Os 12 temas do álbum serão publicados, no início de 1963, divididos por três EP.
1963 Faz grande temporada no La Tête de l'Art de Paris, Savoy, de Londres, França e Líbano.
É editado o EP Marchas de Lisboa.
1964 É-lhe atribuído o papel principal do filme As Ilhas Encantadas, de Carlos Vilardebó, baseado numa novela de Herman Melville. É durante as filmagens nos Açores que Amália conhece Augusto Cabrita, que se transformará, até à sua morte, no fotógrafo oficial de Amália.
Volta a gravar alguns dos seus maiores clássicos, como "Estranha Forma de Vida" e "Ai Mouraria".
Volta a gravar marchas populares, agora com a orquestra de Ferrer Trindade, para edição num EP ainda durante o mês de Junho.
Estreia de Fado Corrido, filme de Jorge Brum do Canto baseado num conto de David Mourão-Ferreira, onde Amália tem um dos papéis principais e cria "Cantiga da Boa Gente".
Actua no La Tête de l'Art de Paris, Itália, Bélgica, França, Holanda e Espanha
1965 No meio de grande polémica, canta poemas de Luís de Camões, com música de Alain Oulman, a que se seguiram outros grandes poetas de língua portuguesa. Do LP, intitulado Fado Português, destacam-se 3 temas com poemas de Luís de Camões, que serão editados, separadamente, em Fevereiro no EP Amália Canta Luís de Camões, que inclui "Lianor", "Erros Meus" e "Dura Memória".
Estreia em Portugal de As Ilhas Encantadas. O filme é mal recebido pela crítica e pelo público, e Amália não voltará a aceitar um papel principal no cinema, apesar da insistência de amigos como Anthony Quinn, que chegou a acordo com os herdeiros de Federico Garcia Lorca para filmar a sua peça Bodas de Sangue com Amália.
Canta no Bobino, em França, Espanha, Bélgica e Holanda.
Pelo terceiro ano consecutivo, Amália grava marchas populares para edição num EP.
Recebe o Prémio do SNI para a Melhor Actriz do Ano por As Ilhas Encantadas.
1966 Grava um EP com quatro dos seus fados clássicos dos anos 40, que gravara pela primeira vez no Brasil, com a orquestra de Joaquim Luís Gomes e o conjunto de guitarras de Raul Nery: "Fado do Ciúme", "Não Sei Porque Te Foste Embora", "Só à Noitinha" e "Maria da Cruz".
Actua no Lincoln Center em Nova Iorque com o maestro André Kostelanetz, num concerto de temas folclóricos portugueses acompanhados a orquestra. O concerto será posteriormente repetido no Hollywood Bowl, em Los Angeles.
Estreia em Paris de As Ilhas Encantadas.
Estreia em Portugal do filme de Jean Leduc Via Macau, onde Amália interpreta "Le premier jour du monde". Simultaneamente, é editado um EP com o tema.
Inspirada pelos concertos americanos do Verão, com André Kostelanetz, Amália grava nos estúdios da Valentim de Carvalho temas do folclore português com orquestra, com arranjos dos maestros Joaquim Luís Gomes e Jorge Costa Pinto.
Recebe o Prémio Pozal Domingues pelo disco "Fandangueiro".
Faz parte do júri do Festival da Canção do Rio de Janeiro, escolhendo igualmente Simone de Oliveira como representante de Portugal no Festival.
Canta em Israel, Brasil, África do Sul, Angola e Moçambique.
Canta na festa da inauguração da ponte sobre o Tejo.
1967 Em Cannes, recebe das mãos do actor Anthony Quinn, o prémio MIDEM 1965/66, destinado a premiar o artista que mais discos vende no seu país, proeza só alcançada pelos Beatles. Amália voltará a receber este prémio em 1968 e 1969.
São editados três EP com gravações de folclore: Folclore 1 - Amália Canta Portugal, Malhão de Cinfães e Tirana.
Inicia uma temporada no Olympia como figura central de um espectáculo denominado "Grand Gala du Music-Hall Portugais", dedicado a Portugal com um elenco português do qual fazem parte Simone de Oliveira, Duo Ouro Negro e Carlos Paredes, entre outros.
Grava com o conjunto de guitarras de Raul Nery uma série de fados clássicos que serão publicados num álbum com o título Fado'67.
Grava o "Concerto de Aranjuez", de Joaquín Rodrigo, com uma letra em francês, "Aranjuez, mon amour", acompanhada pela orquestra de Joaquim Luís Gomes.
A Enciclopédia Larousse considerou-a a maior artista de música ligeira, situando-a a par de Sammy Davis Jr.
Serge Reggiani considerou-a alguém que pertence aos portugueses mas, também, pertence ao mundo.
1968 Grava alguns EP de marchas populares.
É editado pela primeira vez, em single, "Vou Dar de Beber à Dor", uma composição do estreante Alberto Janes que se tornará num dos maiores êxitos de Amália, estabelecendo o recorde absoluto de vendas em Portugal, imediatamente com versões em italiano, espanhol e francês. O tema será editado mais tarde em EP.
Interpreta, na televisão, a protagonista de A Sapateira Prodigiosa, de Federico Garcia Lorca.
Volta ao Lincoln Center com a orquestra de André Kostelanetz.
Actua na Roménia, Espanha, França e Canadá.
É condecorada pelo Estado espanhol com a Ordem de Isabel, a Católica, laço de dama.
1969 Efectua uma grande tournée pela União Soviética, onde actua pela primeira vez.
Pouco tempo depois da edição do seu quinto EP de marchas populares, é lançado o álbum Marchas de Lisboa, reunindo uma selecção das melhores marchas gravadas entre 1963 e 1968.
Recebe o Prémio Pozal Domingues pelo disco "Vou Dar de Beber à Dor".
É convidada de honra do Festival do Marais, em França, e das Olimpíadas da Canção, em Atenas.
Canta em Nova Iorque, França, Moçambique, Rodésia e África do Sul.
É editado o álbum Vou Dar de Beber à Dor, primeira de uma série de compilações lançadas ao longo dos anos 70, reunindo material publicado anteriormente em singles e EP avulsos.
1970 Actua pela primeira vez em Itália, no Teatro Sistina, em Roma, não parando mais de actuar em Itália.
Recebe do estado francês a condecoração Ordem das Artes e das Letras, grau de cavaleiro.
É editado o duplo-álbum Amália e Vinicius, gravado ao vivo em casa de Amália e composto por fados interpretados por Amália, à guitarra e à viola, e poemas declamados pelo poeta brasileiro da "Bossa Nova", Vinicius de Moraes e por José Carlos Ary dos Santos, David Mourão-Ferreira e Natália Correia.
É publicado Com Que Voz, um dos seus álbuns mais aclamados, onde canta os grandes poetas portugueses, com música de Alain Oulman. Com Que Voz será galardoado com o IX Prémio da Crítica Discográfica Italiana (1971), com o Grand Prix du Disc da Acádemie Charles Cross (1975) e o Grand Prix de la Ville de Paris (1975).
Actua pela primeira vez no Japão, em Osaka, passando a fazer actuações regulares no Japão, onde tem uma grande legião de admiradores. O seu concerto em Tóquio, no Sankei Hall, foi gravado para edição em disco, com o título Amália no Japão, publicado em 1971.
Actua em nos EUA, França, Bélgica e Holanda.
É condecorada pelo estado português com a Ordem Militar de Santiago da Espada, grau de oficial.
São reeditados os álbuns Busto e Fado Português.
1971 É publicado o álbum Amália Canta Portugal II, onde grava folclore com orquestra, dirigida pelo maestro Joaquim Luís Gomes. Foi escolhido este título devido ao primeiro EP de folclore se intitular Folclore 1 - Amália Canta Portugal.
Inicia-se a exibição, pela TV Record de São Paulo, da telenovela "Os Deuses Devem Estar Mortos", onde Amália desempenha um dos papéis principais.
É editado o LP Oiça Lá ó Senhor Vinho, uma nova compilação de material publicado em singles e EP, incluindo como tema principal "Oiça Lá Ó Senhor Vinho", uma nova criação do autor de "Vou Dar de Beber à Dor", Alberto Janes, que fora publicada em EP em Maio.
Canta em Itália, Reino Unido, França, RFA, Espanha, Líbano e Angola.
É condecorada pelo governo libanês com a Ordem dos Cedros do Líbano.
É editado em Portugal Amália no Japão, álbum gravado no Sankei Hall, em Tóquio.
Edita o LP Cantigas de Amigos, onde Ary dos Santos e Natália Correia participam declamando poesia medieval portuguesa e Amália canta "cantigas de amigo" acompanhada à guitarra e à viola.
1972 É editado Amália Canta Portugal III, ou Folclore à Guitarra e à Viola, onde Amália grava folclore, mas agora acompanhada à guitarra e à viola.
Canta no La Tête de l'Art, Itália, Austrália, França, Líbano, Tunísia, Angola, Moçambique, África do Sul e Rodésia.
No Canecão, Rio de Janeiro, apresenta o espectáculo "Um Amor de Amália", idealizado para si por Ivon Curi.
É editado em Portugal o LP Amália em Paris, gravado ao vivo no Olympia.
1973 Reedição do álbum Fados'67, com o título Maldição, .
É editado o álbum Amália Canta Portugal, constituído pelos três EP de folclore com orquestra, publicados em 1967 .
O álbum Amália Canta Portugal III é publicado em três EP - Fadinho da Ti Maria Benta, Cana Verde do Mar e Valentim.
Retoma "Um Amor de Amália" no Canecão.
Grava em italiano o álbum A Una Terra Che Amo.
Actua em França, Espanha, Itália, Brasil, Líbano e Suécia
1974 É publicado o álbum Encontro - Amália e Don Byas, onde é acompanhada por aquele sax tenor americano.
São editados dois singles com reportório relacionado com o 25 de Abril: "Meu Amor É Marinheiro"; "Trova do Vento Que Passa", criação de Adriano Correia de Oliveira, gravada por Amália em 1969 para o álbum Com Que Voz; "Fado Peniche (Abandono)" já incluído no álbum Busto, fado polémico nos tempos da censura; "Grândola Vila Morena", em versão inédita gravada originalmente para um dos discos de folclore, antes de ser escolhida para senha do 25 de Abril.
É editado o duplo-álbum Amália no Café Luso, com o registo até aqui inédito de uma apresentação ao vivo de Amália naquele recinto de Lisboa nos anos 50.
1975 Participa na Gala UNICEF 75 no Olympia de Paris, canta no Carnegie Hall, em Nova Iorque, Itália, França, Bélgica e Holanda.
Grandes tounées por Portugal.
1976 É editado Amália no Canecão, álbum ao vivo que regista parte do show de Amália naquele recinto.
É publicado o álbum Cantigas da Boa Gente, compilação de temas lançados em singles e EP.
Canta no Théâtre des Champs Elysées, em Paris, Roménia, Itália, Japão, Brasil e Espanha.
É publicado pela UNESCO o disco La Cadeau de la Vie, onde figura ao lado de Maria Callas, John Lennon, entre outros.
1977 É publicado o álbum Fandangueiro, compilação de material já editado.
É editado o single "Caldeirada - Poluição", de Alberto Janes.
Edição do LP Anda o Sol na Minha Rua, compilação de temas já lançados em singles e EP.
Edição do álbum Cantigas numa Língua Antiga, álbum de temas originais e outros já editados, gravados em novas versões.
Actua no Carnegie Hall, em Nova lorque, Bélgica, França, Espanha, Itália e Israel.
1978 Participa no duplo-álbum de Frei Hermano da Câmara, O Nazareno.
Canta na Bélgica, França, Itália, Suíça, África do Sul, Zimbabwe, Canadá, Venezuela, Argentina e Brasil.
1979 Actua em Itália, RFA, Holanda, Bélgica, França e Brasil.
1980 Canta no Newport Music Festival, nos EUA, acompanhada pela Rhode Island Philharmonic Orchestra, sob a direcção do maestro Álvaro Cassuto.
É editado o álbum de temas inéditos Gostava de Ser Quem Era, composto totalmente por poemas da própria Amália.
Recebe do Presidente da República, Ramalho Eanes, a Ordem do Infante D. Henrique, grau de grande oficial.
Recebe a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa.
1981 Canta em Itália, Suíça, Holanda, Bélgica, Brasil, Argentina, Chile e RFA.
1982 É editado o single O Senhor Extra-Terrestre, com duas canções originais de Carlos Paião.
Edita Fado - Amália Volta a Cantar Frederico Valério, composto exclusivamente por novas gravações de composições de Frederico Valério.
1983 É convidada de honra do Festival da Canção de Atenas.
Canta em Itália, África do Sul, Brasil, Holanda e Bélgica.
É publicado o álbum Lágrima, todo com poemas seus.
1984 É editado Amália na Broadway, que reúne oito canções em inglês gravadas em 1965 nos estúdios da Valentim de Carvalho em Paço d'Arcos acompanhada por uma orquestra dirigida pelo maestro inglês Norrie Paramor, e nunca antes editados.
1985 Dá o seu primeiro grande concerto a solo em Portugal, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.
Actua no Coliseu do Porto.
É editado o duplo álbum O Melhor de Amália - Estranha Forma de Vida, que atinge o 1º lugar de vendas de álbuns, mantendo-se oito meses no top e vendendo para cima de 100 mil exemplares.
Regressa ao Olympia de Paris.
Amália recebe de Jack Lang, Ministro da Cultura de França, a Ordem das Artes e das Letras, grau de comendador.
Canta em Itália.
Na cidade canadiana de Toronto, o dia 6 de Outubro passa a ser o Dia Oficial de Amália Rodrigues.
É editado um segundo álbum compilação, O Melhor de Amália volume II - Tudo Isto é Fado, que ultrapassa as 50 mil cópias vendidas e atinge o 2º lugar do top oficial de vendas.
1986 Grande homenagem no Casino de Paris.
Canta em Itália, Bélgica, Japão, Turquia e Reino Unido.
1987 É editada a biografia oficial de Amália, Amália. Uma Biografia, de Vítor Pavão dos Santos.
É editado o primeiro CD de Amália em Portugal: Sucessos.
É editado o triplo-álbum Coliseu 3 de Abril de 1987, com a gravação integral do concerto de Amália no Coliseu de Lisboa naquela data. É Disco de Ouro por vendas superiores a 20 mil cópias e atinge o 13º lugar dos tops.
Canta no Olympia, em Paris, Itália, Suíça, Bélgica, Holanda e RFA.
1988 É editado em CD Com Que Voz.
É editado em CD Folclore à Guitarra e à Viola.
É editado em CD Encontro com Don Byas.
Canta em Itália, Japão, Suécia, Bélgica, Holanda e Luxemburgo.
1989 É editado em CD Asas Fechadas (Busto).
É editado em CD Amália Canta Portugal.
São comemorados os 50 anos de actividade artística de Amália: Amália. 50 Anos, retrospectiva de toda a sua carreira, no Museu Nacional do Teatro; Retrospectiva de todos os seus filmes, na Cinemateca Portuguesa; Espectáculos de homenagem nas Termas de Caracala, em Roma.
Recebe a Grande Medalha de Vermeil da Cidade de Paris, de Jacques Chirac, presidente da Câmara de Paris.
É recebida em audiência privada pelo Papa João Paulo II, no Vaticano.
É convidada de honra do Estado francês para as Grandes Comemorações do Bicentenário da Revolução Francesa.
A EMI-Valentim de Carvalho edita Amália 50 Anos, uma colecção de oito duplos-álbuns ou CD temáticos, comemorando os 50 anos de carreira de Amália.
1990 Grande espectáculo de homenagem no Coliseu dos recreios, em Lisboa, onde recebe, no palco, do Presidente da República, Mário Soares, a Ordem Militar de Santiago da Espada, grã-cruz.
Homenagens em Madrid, Paris, Tóquio, Rio de janeiro, Nova Iorque, Lisboa (Teatro Nacional de S. Carlos) e no Coliseu do Porto.
Amália actua no Town Hall de Nova Iorque, num concerto que é filmado pelo realizador português radicado nos EUA, Bruno de Almeida.
É editado Obsessão.
1991 É editada a cassete de vídeo "Amália Live in New York City", registo do concerto do Town Hall de Novembro de 1990.
Recebe de François Miterrand, Presidente da República de França, a Legião de Honra.
1992 É editado em CD Cantigas da Boa Gente.
É editado em CD Fado Português.
É editado em CD Oiça Lá ó Senhor Vinho.
É editado em CD Amália no Café Luso.
É editado em CD Amália Fado.
É editado em CD Maldição.
É editado em CD Cantigas numa Língua Antiga.
É editado o CD Abbey Road 1952, que reúne a totalidade das primeiras gravações realizadas por Amália para a Valentim de Carvalho nos estúdios de Abbey Road, em Londres.
É publicado Amália. Uma Estranha Forma de Vida, fotobiografia, por Vítor Pavão dos Santos.
1993 Grava dois duetos com o cantor napolitano Roberto Murolo, para inclusão no álbum deste, Anima i Cuore, editado em Itália em 1994 pela PolyGram.
1994 Actua no Coliseu dos Recreios, num espectáculo integrado em Lisboa 94.
1995 É editado em Portugal o álbum de Roberto Murolo Anima i Cuore que inclui dois duetos com Amália.
É editada pela primeira vez em CD a compilação Estranha Forma de Vida - O Melhor de Amália. A RTP transmite, ao longo de uma semana, a série documental "Amália - Uma Estranha Forma de Vida", cinco episódios de uma hora, dirigidos por Bruno de Almeida, incluindo muitas imagens de arquivo provenientes dos cinco cantos do mundo e nunca antes exibidas em Portugal, entre as quais a estreia de Amália na TV americana, no programa de Eddie Fislier.
Amália é homenageada num espectáculo na Gare Marítima de Alcântara, exibido em directo pela RTP.
São editados pela primeira vez em CD Gostava de Ser Quem Era e Lágrima, completando a disponibilização em CD de todos os álbuns publicados por Amália na Valentim de Carvalho.
Amália é a convidada inaugural do programa de variedades da RTP-1, "Noite de Reis", que pretende homenagear personalidades públicas nacionais.
É editado Pela Primeira Vez - Rio de Janeiro 1945, CD que reúne as 16 gravações que Amália realizou no Rio de Janeiro em 1945 para a editora Continental.
A Valentim de Carvalho edita em vídeo a série documental "Amália - Uma Estranha Forma de Vida", numa tiragem limitada a mil exemplares vendidos exclusivamente ao balcão das lojas Valentim de Carvalho.
1996 Pausa por doença grave.
1997 A EMI-VC edita o álbum Segredo, com um conjunto de gravações inéditas realizadas entre 1965 e 1975.
Depois de 36 anos de casamento, morreu o seu marido César Seabra
1998 Segredo é galardoado com um disco de platina por vendas superiores a 40 mil cópias.
1999 Amália Rodrigues morreu no dia 6 de Outubro, com 79 anos.

Caracolinhos

E aqui vai um fado que gosto desta que foi uma grande fadista


Fado dos Caracóis - Amália Rodrigues